domingo, 17 de maio de 2015

Entrevista sobre o processo de Inclusão Escolar

Para termos como avaliar um processo de Inclusão é preciso conhecer os pontos de vista do profissional responsável pelo acompanhamento dos alunos especiais. O ponto de vista das crianças nos amplia o senso de igualdade, mas precisamos entender melhor até que ponto os direitos de igualdade para todos são devidamente respeitados num processo de inclusão. Para compreender melhor estas questões conversamos com a professora Roselaine de Freitas, estagiária de pedagogia que participou de um processo de inclusão auxiliando alunos portadores de necessidades especiais de uma turma de 2º.ano de uma escola da rede municipal de ensino em 2014. É bom ressaltar que em relação a Educação Especial as escolas públicas estão à frente das escolas privadas segundo especialistas. Embora esta tenha sido a primeira experiência da professora com alunos assistidos já possuía outras experiências na Educação. Ela também participou do processo de inclusão de uma cadeirante no Programa Mais Educação (foto acima) e contou-nos sua experiência com os alunos especiais e o relacionamento com as famílias , a escola e a importância desta experiência enquanto pessoa e profissional. Abaixo um resumo de sua experiência no processo de inclusão de 4 alunos especiais, sendo 2 com síndrome de down, 1 com altismo e 1 com dificuldade de aprendizagem e baixo rendimento escolar e da cadeirante no Programa Mais Educação. Abaixo a entrevista.
- Como foi feita a inclusão das crianças junto a turma?

Embora os alunos tivessem iniciado o processo de inclusão na escola no ano anterior, por se tratar de necessidades individuais e específicas as dificuldades nem por isso se mostraram ser mais simples, ao contrário demonstraram-se mais acentuadas.A adaptação dos alunos especiais na turma foi evoluindo gradativamente na medida em que os alunos se adaptavam as professoras. Foi assim que foi conduzida a inclusão, a adaptação dos alunos especiais na turma de 2º.ano , ora em atividades conjuntas, ora em atividades separadas.    
                                                                                                                       
 - Qual foi a sua maior dificuldade em relação aos alunos

 Administrar a atenção entre eles. Eles necessitam muito acompanhamento, minuto a minuto. São uma caixinha de surpresas, desde puxar a sua própria cadeira, como carregar um mochila até molhar todinho as roupas no bebedouro ou banheiro. Nem sempre estavam todos os 4 juntos, mas a maior dificuldade foi manter a atenção nos 4 de maneira que todos estivessem limpos, confortáveis e seguros.          

 - Durante atividades que envolviam a motricidade ampla quais atividades eram desenvolvidas com essa criança?

As crianças especiais brincavam de futebol, de bola e arremessos sempre que possível, considerando que as aulas de exercício e esportes nem sempre aconteciam nos mesmos horários em que todos se encontravam. Também usamos cones , bambolês os preferidos dos alunos especiais com síndrome de down. Os outros dois inclusive o altista preferiam sempre atividades de maior esforço físico como jogo de futebol.  
- Qual a sua primeira reação ao ter que trabalhar com uma inclusão ?                                             

Eu sabia que iria aprender muito mas nem fazia ideia do quanto. O aprendizado foi muito maior para mim do que para eles, pois foi preciso ensinar/educar desde as primeiras regras básicas de higiene até as demais como cuidar das suas coisas pessoais, postura e também relacionamento com os colegas, até passarmos para alfabetização propriamente dita.   
                                                                                                 
- Como foi o desenvolvimento dessa criança durante o ano?

Num processo de inclusão o principal aspecto a ser considerado pela direção é o social, pois quando se alcança esse objetivo os demais passam a ser consequência. Quando os alunos em questão se sentem aceitos e “especiais” no estrito sentido da palavra eles tendem a ser mais participativos, colaborativos e produtivos o que em vias de regra funciona da mesma forma para alunos não portadores de necessidades especiais.
                                                                                                                                                                                            O - O professor estava capacitado para receber a criança?   

Infelizmente nem eu nem a professora titular não estávamos preparadas para um processo de inclusão. Era na verdade preciso uma auxiliar unicamente para atendê-los; teria sido mais viável e menos tenso o processo junto aos demais.  A maioria dos alunos especiais por possuirem perfil passivo, meigo e carinhoso favoreciam o processo de inclusão; apenas o altista era agressivo e instável com frequência.  
                                                                                                                                                                                 - Como a turma recebeu essa criança?
Como se relaciona atualmente?
                               
 A turma recebeu bem as crianças, claro porque já eram conhecidas da maioria da turma. Embora houvesse disposição de todo o grupo escolar , das professores e dos demais alunos faltou planejamento estratégico pedagógico para se alcançar melhores resultados com um e outro aluno especial. Hoje as mesmas não estão mais frequentando a escola. Não sei o que a Secretaria Municipal dispôs sobre o assunto do processo de inclusão e nem sei os porquês pois em apenas um único caso me pareceu irremediável ou seja inviável nas condições propostas. Encontrei o pai de um dos alunos meses após que conversou comigo pela 1a.vez . Esse foi assim o maior de todos os aprendizados creio eu considerando que por receio nunca havia conversado com este pai por ser ele o pai do aluno altista o mais agressivo. Um professor precisa relacionar-se bem com o pai dos alunos seja ele quem for ; muitas vezes ele poderá se tornar um agente apaziguador e até intercessor diante as mais variadas dificuldades existentes numa relação entre a escola , os pais e os alunos especiais .
- Essa criança tem auxiliar e está capacitado?

As crianças tinha a mim, a professora titular e também sempre que solicitado e muito ativo e compreensivo o orientador da escola com uma atuação disciplinar excelente ao meu ver. Dos educadores participantes no processo eu pensava que era a menos qualificada , mas quando percebi as dificuldades em sala de aula que a professora titular encontrava com os mesmos alunos, então me senti bem aventurada pois muitas vezes estive sozinha com eles e não precisei pedir ajuda de ninguém ,me considerando capaz de manter as coisas sob controles com os vínculos criados até aquele momento.

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