Para termos como avaliar um
processo de Inclusão é preciso conhecer os pontos de vista do
profissional responsável pelo acompanhamento dos alunos especiais. O
ponto de vista das crianças nos amplia o senso de igualdade, mas
precisamos entender melhor até que ponto os direitos de igualdade para
todos são devidamente respeitados num processo de inclusão. Para
compreender melhor estas questões conversamos com a professora Roselaine de Freitas,
estagiária de pedagogia que participou de um processo de inclusão
auxiliando alunos portadores de necessidades especiais de uma turma de
2º.ano de uma escola da rede municipal de ensino em 2014. É bom
ressaltar que em relação a Educação Especial as escolas públicas estão à
frente das escolas privadas segundo especialistas.
Embora esta tenha sido a primeira experiência da professora com alunos
assistidos já possuía outras experiências na Educação. Ela também
participou do processo de inclusão de uma cadeirante no Programa Mais
Educação (foto acima) e contou-nos sua experiência com os alunos
especiais e o relacionamento com as famílias , a escola e a importância
desta experiência enquanto pessoa e profissional.
Abaixo um resumo de sua experiência no processo de inclusão de 4 alunos
especiais, sendo 2 com síndrome de down, 1 com altismo e 1 com
dificuldade de aprendizagem e baixo rendimento escolar e da cadeirante
no Programa Mais Educação. Abaixo a entrevista.
- Como foi feita a inclusão das crianças junto a turma?
Embora
os alunos tivessem iniciado o processo de inclusão na escola no ano
anterior, por se tratar de necessidades individuais e específicas as
dificuldades nem por isso se mostraram ser mais simples, ao contrário
demonstraram-se mais acentuadas.A adaptação dos alunos especiais na
turma foi evoluindo gradativamente na medida em que os alunos se
adaptavam as professoras. Foi assim que foi conduzida a inclusão, a
adaptação dos alunos especiais na turma de 2º.ano , ora em atividades
conjuntas, ora em atividades separadas.
- Qual foi a sua maior dificuldade em relação aos alunos
Administrar a atenção entre eles. Eles necessitam muito acompanhamento, minuto a minuto. São uma caixinha de surpresas, desde puxar a sua própria cadeira, como carregar um mochila até molhar todinho as roupas no bebedouro ou banheiro. Nem sempre estavam todos os 4 juntos, mas a maior dificuldade foi manter a atenção nos 4 de maneira que todos estivessem limpos, confortáveis e seguros.
- Durante atividades que envolviam a motricidade ampla quais atividades eram desenvolvidas com essa criança?
- Qual foi a sua maior dificuldade em relação aos alunos
Administrar a atenção entre eles. Eles necessitam muito acompanhamento, minuto a minuto. São uma caixinha de surpresas, desde puxar a sua própria cadeira, como carregar um mochila até molhar todinho as roupas no bebedouro ou banheiro. Nem sempre estavam todos os 4 juntos, mas a maior dificuldade foi manter a atenção nos 4 de maneira que todos estivessem limpos, confortáveis e seguros.
- Durante atividades que envolviam a motricidade ampla quais atividades eram desenvolvidas com essa criança?
As crianças especiais brincavam de futebol, de bola e arremessos sempre
que possível, considerando que as aulas de exercício e esportes nem
sempre aconteciam nos mesmos horários em que todos se encontravam.
Também usamos cones , bambolês os preferidos dos alunos especiais com
síndrome de down. Os outros dois inclusive o altista preferiam sempre
atividades de maior esforço físico como jogo de futebol.
- Qual a sua primeira reação ao ter que trabalhar com uma inclusão ?
- Como foi o desenvolvimento dessa criança durante o ano?
Num processo de inclusão o principal aspecto a ser considerado pela direção é o social, pois quando se alcança esse objetivo os demais passam a ser consequência. Quando os alunos em questão se sentem aceitos e “especiais” no estrito sentido da palavra eles tendem a ser mais participativos, colaborativos e produtivos o que em vias de regra funciona da mesma forma para alunos não portadores de necessidades especiais.
Infelizmente nem eu nem a professora titular não estávamos preparadas
para um processo de inclusão. Era na verdade preciso uma auxiliar
unicamente para atendê-los; teria sido mais viável e menos tenso o
processo junto aos demais. A maioria dos alunos especiais por possuirem
perfil passivo, meigo e carinhoso favoreciam o processo de inclusão;
apenas o altista era agressivo e instável com
frequência.
Eu sabia que iria
aprender muito mas nem fazia ideia do quanto. O aprendizado foi muito
maior para mim do que para eles, pois foi preciso ensinar/educar desde
as primeiras regras básicas de higiene até as demais como cuidar das
suas coisas pessoais, postura e também relacionamento com os colegas,
até passarmos para alfabetização propriamente dita.
- Como foi o desenvolvimento dessa criança durante o ano?
Num processo de inclusão o principal aspecto a ser considerado pela direção é o social, pois quando se alcança esse objetivo os demais passam a ser consequência. Quando os alunos em questão se sentem aceitos e “especiais” no estrito sentido da palavra eles tendem a ser mais participativos, colaborativos e produtivos o que em vias de regra funciona da mesma forma para alunos não portadores de necessidades especiais.
O - O professor estava capacitado para receber a criança?
- Como a turma recebeu essa criança?
Como se relaciona atualmente?
Como se relaciona atualmente?
A turma recebeu bem
as crianças, claro porque já eram conhecidas da maioria da turma. Embora
houvesse disposição de todo o grupo escolar , das professores e dos
demais alunos faltou planejamento estratégico pedagógico para se
alcançar melhores resultados com um e outro aluno especial.
Hoje as mesmas não estão mais frequentando a escola. Não sei o que a
Secretaria Municipal dispôs sobre o assunto do processo de inclusão e
nem sei os porquês pois em apenas um único caso me pareceu irremediável
ou seja inviável nas condições propostas. Encontrei o pai de um dos
alunos meses após que conversou comigo pela 1a.vez . Esse foi assim o
maior de todos os aprendizados creio eu considerando que por receio
nunca havia conversado com este pai por ser ele o pai do aluno altista o
mais agressivo. Um professor precisa relacionar-se bem com o pai dos
alunos seja ele quem for ; muitas vezes ele poderá se tornar um agente
apaziguador e até intercessor diante as mais variadas dificuldades
existentes numa relação entre a escola , os pais e os alunos especiais .
- Essa criança tem auxiliar e está capacitado?
As
crianças tinha a mim, a professora titular e também sempre que
solicitado e muito ativo e compreensivo o orientador da escola com uma
atuação disciplinar excelente ao meu ver. Dos educadores participantes
no processo eu pensava que era a menos qualificada , mas quando percebi
as dificuldades em sala de aula que a professora titular encontrava com
os mesmos alunos, então me senti bem aventurada pois muitas vezes estive
sozinha com eles e não precisei pedir ajuda de ninguém ,me considerando
capaz de manter as coisas sob controles com os vínculos criados até
aquele momento.


